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“SE VOCÊ FOR EU VOU”

A história da TV 3.0 é cheia de ousadia. Ironicamente, um dos fatores foi o domínio do mercado mundial de telas planas. Em 2016 as coreanas Samsung e LG queriam um ecossistema para validar os novos televisores 4K e 8K. Mas a TV aberta naquele país, tradicionalmente forte, estava perdendo muito espaço para o streaming. A Coreia do Sul iria sediar os Jogos de Inverno em 2018 – que não passariam no streaming – e a oportunidade seria ideal para o lançamento das novas tecnologias.

Daí nasceu a ideia de um sistema de TV aberta robusto, baseado em protocolos IP. A NAB, associação que reúne as TVs abertas americanas, gostou da ideia. Elas também perdiam muito espaço para o streaming e para a TV a cabo. Então surgiu o ATSC 3.0, implantado na Coreia do Sul em 2017.

Toda essa ousadia custou muito caro. A TV 3.0 ainda exige altos investimentos e está desafiando concorrentes poderosos. Por outro lado, sem a tecnologia 3.0 a TV aberta tende a desaparecer no mundo todo.

Por isso as emissoras brasileiras investem com cautela. Elas já sentem os impactos da queda de faturamento em função dos concorrentes mais próximos da Internet. Por isso, a moderação é totalmente justificável.

O Governo Federal tem todo interesse no sistema, por causa das novas perspectivas para a EBC e para serviços públicos como um todo. A TV Globo é a empresa privada brasileira que mais tem investido na TV 3.0.

Falta agora o principal investimento: é da audiência. A venda de caixas que permitem sintonizar a TV 3.0 representa o passo decisivo para “colocar o bloco na rua”. Afinal, só quando todos entram no mesmo ritmo, a festa acontece de fato.